Helenice Martins Real

Mãe da Valentina

Descobrir que estava grávida já foi mágico, mas nada se compara a dar a luz e conhecer a face de quem por muito tempo será totalmente dependente de você e te fará uma pessoa ainda mais feliz!
Assim foi meus nove meses de gestação, tranquilo e da melhor maneira possível, continuei com minhas atividades e uma vida muito agitada, mas mesmo assim com todos os cuidados e carinho que aquele momento exigia de nós duas e quando digo de nós duas, pois ela foi uma parceira incrível, deixei ela escolher o parto que ela queria, afinal é o momento dela, seria a chegada dela e jamais poderia interferir nisso, esta foi minha decisão, deixar ela escolher.

Para minha surpresa (e que surpresa) com 36 semanas, em uma consulta de rotina com minha Obstetra Dr. Cristina Carvalho (minha eterna admiração pelo carinho nestes meses de acompanhamento), ao realizar o toque, ela me deu a noticia que nosso momento seria adiantado…. Um susto, pois já estava com 4 cm de dilatação e sem nenhuma clinica, não sentia absolutamente nada de dor, mas pela dilatação, já me afastaria do trabalho, pois a qualquer momento minha princesa, poderia chegar.

Pois bem, como boa mamãe, segui as orientações dela e fiquei de repouso por uma semana em casa, também para que minha bebê ficasse um pouco mais ali. Passei a semana ainda sem dor, realizei as consultas de acompanhamento e nada, aquela dilatação ainda se mantinha e sem sinais de trabalho de parto ativo.

Depois entendi, que até nisso nossa comunicação existiu, precisava deste “tempo” para desacelerar e me preparar para aquele que seria o momento “e que momento”.

No sábado, posterior avaliação da dilatação, acordei já com um sentimento diferente, naquele final de semana e desde o afastamento, meu esposo estava de vigília, pois a qualquer momento poderia nascer e como moramos em cidades diferentes, precisávamos nos organizar, afinal ele tinha que estar ali. Pois bem, até nisso nossa princesa ajudou, ela queria o papai por perto.

No sábado à noite, com 37 semanas e 2 dias, tive um pequeno sangramento e lembrei as orientações da Dr. Cristina… lembrei mesmo rsrs, pois mesmo sendo enfermeira, neste momento é um misto de sentimento que até nos esquecemos que entendemos da fisiologia deste momento. Era hora de ir para o hospital

Pensei, “ela esta vindo”…. “Ela escolheu o dia 17/12/2017 para vir”…. “ela esperou o pai dela chegar”….. “ela quer vir de parto normal”…. “Eu vou conseguir”…. “Nós vamos conseguir”
Já com as malas prontas e tudo organizado fomos: eu, meu esposo e minha mãe, que durante estes nove meses foi minha companhia de conversas, organizações, comemorações e ansiedade. Minha mãe foi fantástica antes, durante e depois.

Ao chegar no hospital, às 22:10h muito bem recebida, fui logo avaliada pelo obstetra de plantão Dr. Djalma, estava muito tranquila, sabia que aquele dia seria o “nosso dia”, mas quando ele fez o toque e de fato nos comunicou que ela estava chegando, como descrever aquele momento, subir para a sala de parto e tentar conter a ansiedade era a única coisa que consegui pensar. Pois bem, meu esposo foi preparar as documentações de internação, minha mãe me acompanhando e então subimos.

Dr. Djalma com todo carinho (ele foi excepcional), não o conhecia, mas ele ficará eternamente na nossa história, daqui a pouco conto porque!

Subindo, a equipe da enfermagem, fez as orientações, troquei de roupa e começava ali nosso sonho… Muito carinhosamente a equipe ia me ajudando, me dando apoio, as técnicas e enfermeiras sabendo como agir, como nos tranquilizar e tudo foi correndo da melhor forma possível, da forma mais mágica que poderia imaginar.

Fomos evoluindo, a bolsa não chegou a romper sozinha e já estava com 10 centímetros de dilatação….. Haaaa quando dei entrada no pronto socorro estava com 7 centímetros, então evolui rápido para nossa felicidade!

Usei a bola, fui para o chuveiro, recebi massagem, sentei, levantei, caminhei… Embora com 10 centímetros, ela estava alta, precisava descer um pouco e continuei com as orientações e conversando com ela para novamente nos ajudar e como sempre minha parceira ajudou.

A bolsa foi rompida às 23:40hs, iniciava ali a fase mais dolorosa do meu parto, ansiosa para saber se estava tudo bem, a dor do momento e todo o sentimento que envolve aquele momento.

Em um destes momento, aqueles de “faça força”, cheguei a pensar em desistir, mas não poderia decepcionar minha princesa, afinal aquele foi o parto escolhido por ela. Então o Dr. Djalma com todo carinho e paciência, chegou próximo a mim e disse “Nós vamos conseguir, nós já estamos quase lá, nós (eu, você e ela) já estamos terminando, falta pouco”. Como isso mexeu comigo! Era tudo que precisava ouvir e o olhar dele ficará na minha memoria.

Ela começou a coroar e a força positiva daqueles que estavam presentes na sala (equipe médica e de enfermagem, minha mãe e meu esposo), ajudou ainda mais, então às 01:12hs do dia 17/12/2017 ela veio ao mundo, cheia de saúde, com 2.970kg e 46 cm, na hora dela e como ela queria.

Um agradecimento em especial ao pai da minha filha, meu esposo Luciano, que mesmo distante em alguns momentos, nunca deixou de ser presente, sonhou cada momento comigo e foi fundamental no parto, segurando a minha mão, me dando força para conseguir parir. Meu muito Obrigada.

Meu esposo ainda teve a oportunidade de cortar o cordão umbilical, que mágico foi isso! E depois receber ela nos braços, posso dizer apenas que é indescritível, foi atendida pela equipe médica e preparada para voltar aos meus braços, desta vez para sempre, para cuidar e amamentar, este um assunto a parte…. Mas que é igualmente indescritível, o PODER de alimentar alguém, é ou não é único!.

Meus agradecimentos a toda equipe do Hospital Unimed, especialmente aquela equipe.